Paris (Conto Semi-Autobiografico)

            Quando um relacionamento ,de dez anos,de uma mulher de 43 anos acaba, é um passeio no parque. Quando um relacionamento ,de dez anos, de uma mulher de 33 anos acaba, dói ,mas, a vida segue. Quando o relacionamento ,de 10 anos, de uma menina de 23 anos acaba, fica um buraco negro à frente dela. 

             Aos 23 anos ,uma semana depois do término de um relacionamento de 10 anos, com a minha Parceira, fui fazer um curso de Francês em Paris. O meu instinto era desistir, porém, como o curso e as passagens já estavam pagos, eu tive que ir. 

             No avião,na hora da decolagem,me urinei. O que me salvou foi que eu estava usando um moddess geriatra para incontinência urinária. Era a primeira vez que viajava sozinha.

           Queria ir para Paris para morrer, somente isso, morrer. Era Novembro de 2006,luto e saúde mental eram tabus que não se discutiam .

            Quando o grupo chegou no Aeroporto Charles De Gaulle,fomos recepcionados por Matilda. Uma senhora de 65 anos que parecia bem mais jovem.No grupo estavamos eu,uma ginecologista,um senhor de 50 anos e sua mãe e a freira Irmã Joelma ,de Belém do Pará. Esta se benzeu quando falei que seguia o Espiritismo e falei sobre Astrologia.Se mostrou nervosa com a presença do senhor, como se nunca tivesse visto um homem na vida.

         Chegamos no Albergue,onde , também,seriam as nossas aulas. Alí fomos recepcionados pelo belíssimo Desmond,estudante americano de Psicologia,que tocava piano clássico de forma bela e talentosa. Desmond tinha um grupo de amigos, também estudantes de Psicologia,muito interessante. Tinha uma portuguesa, abertamente lésbica,uma paulistana, uma Russa e uma Mãe de Santo Americana de New Orleans,sobrevivente do Furacão Katrina.

        No Albergue, fui sorteada a dividir o quarto com Irmã Joelma,que tinha hábitos  muito estranhos. Ela tomava banho de combinação,andava sempre com os cabelos cobertos e me acordava SEMPRE que eu falava,durante o sono. Passava a noite inteira assim. Para mim dormir já era bem difícil e quando eu, finalmente, conseguia ela falava que eu estava falando durante o sono. Teve uma noite que eu estava tendo um sonho erótico,ela deu um berro tão alto que o albergue inteiro se acordou.

          Cheguei no primeiro dia de aula,com olheiras profundas,da noite mal dormida. A professora era uma imigrante libanesa chamada Khadija. Ela nos recepcionou de forma muito respeituosa,já que éramos alunos pre-iniciantes de Francês. Ela ficou no meio dos alunos e ficou tentando adivinhar nossas nacionalidades. Ela achou que a estudante russa era brasileira e achou que eu era russa.

          

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